A Cereja em Portugal

     Devido ao clima e localização geográfica na Europa, Portugal dispõe de um
enorme potencial para colocar no mercado frutos, e mais concretamente cereja, especialmente em épocas em que a produção em muitos países europeus não consegue satisfazer a procura existente.

     É de realçar a necessidade de fazer chegar, a um consumidor cada vez mais
informado e exigente, frutos frescos de grande qualidade.

     Cereja da Cova da Beira

     Com uma área de produção que abrange os concelhos do Fundão, Covilhã e Belmonte, a área de cultivo de cerejeira ronda os 2507 hectares na região, dando origem, em média, a cerca de 8558 toneladas anuais de cerejas (INE, 2007).

     Confirma-se uma tendência de aumento da área ocupada por esta cultura na região. Não devemos esquecer, no entanto, que o aparecimento de novos pomares não está muitas vezes associado ao aumento de área efectiva mas à reconversão do pomar já existente. As explorações agrícolas da região são do tipo pequenas a médias explorações. O pomar de cerejeiras não foge a esta regra, o que tem permitido ao produtor uma gestão mais ou menos eficaz da colheita do seu pomar.

     Variedades na região

     O número de variedades presentes nos pomares da região tem crescido exponencialmente nos últimos anos, em parte devido à reconversão dos pomares mais antigos.

     Actualmente há uma preocupação, por parte dos produtores locais, em
instalarem variedades de maior calibre e consequente melhor aceitação no mercado. A época de colheita começa igualmente a ser um factor a ponderar, nomeadamente a aposta em variedades mais precoces ou tardias, por estas terem uma consequente mais valia económica na venda. Ao nível das variedades instaladas podemos ponderar algumas alterações recentes:

As variedades como a ‘Napoleão Pé Comprido’, a ‘Morangão’ ou a ‘Windsor’
(Roxa), são altamente produtivas na região da Cova da Beira, mas no presente não têm colocação no mercado de frescos, e infelizmente ainda possuímos um escoamento nacional para a indústria altamente deficitário.

A variedade ‘Burlat’ tem fortes tradições na região. Pela sua precocidade
produtiva permite ao produtor uma valorização económica significativa, no entanto, é uma variedade de polpa mole e a sua permanência nos circuitos comerciais é limitada.

Variedades igualmente precoces podem ser admitidas na região como a ‘Earlise’, no entanto, não podemos esquecer que aumentam também os riscos de fendilhamento da cereja.

As variedades de cerejeira mais cultivadas na região da Cova da Beira são,
tradicionalmente a ‘De Saco Cova da Beira’, ‘Burlat’, ‘Maring’, e ‘Windsor’ também conhecida como ‘Roxa’.
Mais recentemente, hoje com pomares em plena produção, houve a introdução de novas variedades como a ‘Brooks’, ‘Hedelfingen’, ‘Summit’, ‘Sunburst’, e ‘Sweetheart’, entre outras, mais atractivas do ponto de vista comercial por o fruto atingir elevados calibres.

Consoante a variedade, a colheita processa-se maioritariamente na região do início de Maio até à segunda quinzena de Julho, consoante as variedades e a localização dos pomares. A altitude a que o pomar se encontra, a sua localização e as variações climáticas interanuais determinam as variedades disponíveis na campanha. Nas últimas campanhas, tem-se, no entanto, observada alguma concentração da produção, essencialmente devido às altas temperaturas registadas, o que leva a um encerramento precoce da recepção de cereja.

A grande representatividade regional cabe sem dúvida ainda a variedades como a ‘Burlat’, ‘Maring’ e ‘De Saco Cova da Beira’. A reconversão dos pomares tem mudado ultimamente este cenário surgindo já com significativa relevância variedades como; ‘Earlise’, ‘Brooks’, ‘Garnet’, ‘Lapins’, ‘Summit’, ‘Sweetheart’ e ’Sunburst’. Esta última, tem no entanto sido abandonada progressivamente pelos produtores regionais, após grande entusiasmo inicial levado pelo seu elevado calibre, devido à polpa mole do fruto.
Em condições climatéricas normais, e tendo em conta que dentro da região da Cova da Beira temos regiões produtivas de características distintas, por se encontrarem a cotas mais baixas e apresentarem valores médios de temperatura ligeiramente diferentes, podemos apontar para um mapa aproximado de produção das diferentes variedades.

Caracterização das variedades

Primulat Ferprime

 Variedade extra-precoce. Floração precoce, 5 a 7dias antes da variedade ‘Burlat’. Polinizadoras: ‘Van’, ‘Burlat’, ‘Sweetheart’. Entrada rápida em produção. Produtividade boa e regular. Colheita 3-5 dias antes ‘Burlat’. No que se refere à qualidade do fruto, este apresenta-se com boa firmeza e teores de açúcar adequados (idêntica à ‘Burlat’). A época óptima de colheita deverá ser no índice de cor 4 definido pelo Ctifl. Vigor da árvore médio a forte. Calibres baixos em caso de sobrecarga. Maturação escalonada. Firmeza da polpa média (próxima ‘Burlat’). Elevada sensibilidade ao rachamento (mais sensível que a ‘Burlat’).

Earlise Rivedel

 Variedade precoce. Entrada em produção rápida. Produtividade muit0 elevada. Polinizadoras: ‘Garnet’, ‘Sumini’, ‘Sweetheart’, ‘New Moon’, ‘Lapins’, ‘Burlat’. Maturação 2-4 dias antes ‘Burlat’ com calibres ligeiramente superiores e mais firme. Época óptima de colheita deve centrar-se no estado de coloração 4 (código coloração Ctifl). Vigor da árvore médio-forte. Floração muito precoce. Maturação escalonada (2-3 passagens que não devem distar mais de 6 dias). Produção heterogénea. Evitar portaenxertos tipo Tabel e podas de frutificação severas que levam cargas excessivas, atrasos na maturação e baixos calibres. Elevada sensibilidade ao rachamento (superior à ‘Burlat’). Perda de firmeza da polpa rápida quando as temperaturas sobem e ocorre precipitação.

Burlat

 Maturação precoce. Fruto de sabor bom, com uma boa relação açúcar/acidez. Polinizadoras: ‘Arcina’, ‘Brooks’, Van’, ‘Stark Hardy Giant’, ‘Coralise’ ou ‘Celeste’. A colheita deverá ser dirigida à cor 3-4 (código Ctifl), só assim atingiremos valores de dureza da polpa aceitáveis do ponto de vista comercial.  Crescimento vegetativo vigoroso. Maturação escalonada (2-3 passagens não devem distar mais de 6 dias). Perda dureza da polpa rápida com evolução da cor e com temperaturas altas e precipitação. Produtividade média. Sensível ao rachamento. Variedade de polpa mole.

     Brooks

 Rápida entrada em produção. Produtividade média a boa. Polinizadoras: ‘Burlat’ e Van’. Floração próxima da ‘Burlat’. Maturação mais ou menos concentrada. Fruto de elevado calibre e atraente, de óptima qualidade gustativa. Polpa consistente. Elevada resistência ao armazenamento e transporte. Do ponto de vista comercial é uma variedade que apresenta actualmente muita procura e óptima valorização.  Muito sensível ao rachamento.

Celeste Sumpaca

 Autofértil e produtiva. Fruto de bom calibre e mediana qualidade. Maturação mais ou menos 12 a 14 dias após a ‘Burlat’. Sabor doce.  Árvore vigorosa e de copa densa. Lenta entrada em produção. Variedade sensível ao rachamento e muito sensível à moniliose (Monilia laxa).                                      Maturação escalonada, necessitando de várias colheitas.

Garnet Magar

 Rápida entrada em produção. Variedade cuja floração antecede a ‘Burlat’, 1 a 8 dias. Requer polinizadoras de floração precoce, como sejam a ‘Earlise’, ‘Ruby’,
‘Lapins’, ‘New Moon’, ‘Sweetheart’, ‘Early Van Compact’, ou ‘Marvin’. Produtividade média a elevada. Fruto de polpa consistente. a colheita deverá ser dirigida para o estado de cor 4 (código de coloração Ctifl), sendo assim garantidos valores óptimos de dureza e açúcar na polpa.
 Elevada sensibilidade ao rachamento. Após a colheita a cor evolui lentamente mas o pedúnculo murcha rapidamente, sendo esta uma enorme desvantagem do ponto de vista comercial.

Skeena

A sua floração ocorre 4 a 7 dias após a ‘Burlat’. Variedade autofértil e de rápida entrada em produção. Produtividade boa. Maturação 28 a 32 dias após a ‘Burlat’. Apresenta bom calibre e firmeza da polpa. O estado de coloração recomendável para colheita é o índice 5-6 do código de coloração definido pelo Ctifl. Sensibilidade ao rachamento de baixa a elevada.

Stella

 Variedade autofértil. De sabor doce e coloração vermelho escuro. Maturação intermédia. O vigor da árvore é moderado, apresentando produções razoáveis, com boa distribuição árvore. Sensibilidade mediana ao rachamento.

Early Van Compact

 Floração mais ou menos 4 dias em relação à ‘Burlat’. Polinizadoras: ‘Burlat’, Sweetheart’ ou ‘New Moon’. Fruto de bom calibre e dureza da polpa. Sabor discreto. Rápida entrada em produção. Maturação ± 13 dias após a ‘Burlat’.                          Medianamente sensível ao rachamento. Árvore vigorosa. Produção irregular.          O calibre bom mas irregular se a carga for elevada. Produtividade escassa a mediana.

Van

 Rápida entrada em produção mantendo os bons níveis produtividade. Óptima qualidade organoléptica dos frutos. Maturação concentrada. Boa produção, por vezes excessiva. Polinizadoras: ‘Marvin’, ‘Arcina’, ‘Stark Hardy Giant’, ‘Burlat’, ‘Rainier’, ‘Coralise’, ‘Celeste’ ou ‘Napoleão’. Quando a colheita decorre nos estados de coloração 4-5 (código Ctifl), a suas qualidades organolépticas e de firmeza da polpa são boas. Sensibilidade ao rachamento junto ao pedúnculo. Requer poda que limite a produção. Pedúnculo curto o que dificulta colheita. É sensível ao cancro bacteriano. É uma variedade medianamente sensível a ataques de moniliose.

     Bing

 Boas características organolépticas e boas propriedades do fruto após colheita. Boa estabilidade e alto teor de açúcar. Bons níveis de acidez da polpa. Elevado calibre. Sensível ao rachamento e à moniliose (Monilia laxa).

     Arcina Fercer

 Polinizadoras: ‘New Moon’, ‘Sweetheart’, ‘Early Van Compact’, ‘Marvin’, ‘Van’, ‘Stark Hardy Giant’, ‘Burlat’, ‘Rainier’, ‘Coralise’ ou ‘Celeste’. Maturação 15 a 20 dias após a ‘Burlat’. Calibre, dureza da polpa e qualidade gustativa muito boas. Variedade de fácil colheita. A colheita deverá ser dirigida ao estado de cor da epiderme 4-5 (código Ctifl), garantindo-se assim valores óptimos de dureza e açúcar na polpa. Árvore vigorosa. Difícil de polinizar. Entrada em produção lenta, preferindo os porta-enxertos semi-ananicantes e ananicantes. Podas longas favorecem a frutificação nos ramos longos e pendentes. Variedade de produtividades irregulares. Sensível ao rachamento. Elevada sensibilidade às geadas primaveris.

Summit

 Maturação concentrada. Polinizadoras: ‘Hedelfingen’, ‘Sunburst’, ‘Badacsony’,
‘Noire Méched’, ‘Belge’ ou ‘Tardif de Vignola’. Boas características do fruto. O estado de coloração recomendável para colheita é o índice 4-5 do código de coloração do Ctifl.
 Lenta entrada em produção e produtividade baixa e inconstante. Desenvolvimento vegetativo vigoroso. Sensível à moniliose (Monilia laxa).

Sunburst

 Variedade autofértil, de maturação uniforme. Cerejas de elevado calibre. Boa produtividade. A colheita devera ser dirigida à coloração 1-2 da epiderme do fruto, pois só assim não será afectada a firmeza da polpa. A esta data os açúcares já atingiram o seu valor máximo e os ganhos de peso e calibre já não se verificam. Índices mais avançados de coloração da epiderme apenas depreciam a firmeza da polpa. Polpa mole e sabor mediano. Sensível ao rachamento e ao manuseamento do fruto. Não tolera colheitas tardias devido à fraca firmeza da polpa.

Hedelfingen

 Cereja de polpa consistente e bom sabor. Polinizadoras: ‘Guillaume’, ‘Napoleão’, ‘Summit’, ‘Verdel’. Semelhante à variedade regional ‘De Saco Cova da Beira’. A colheita deverá ser dirigida à cor 4-5 (código de coloração Ctifl). Maturação escalonada, requerendo 2 a 3 passagens pela árvore. Entrada em produção lenta. Produtividade mediana.

Lapins

 Variedade autofértil, precoce e muito produtiva. Cereja de boas qualidades gustativas, pouco sensível ao rachamento. Fruto de polpa firme a muito firme, com bons teores de açúcar e nível de acidez. Fruto doce não muito ácido. Polpa crocante e consistente. Colheita óptima na cor 4. Muito sensível à moniliose nos frutos. O excesso de produção poderá ser um problema nesta variedade.

Maring

 Variedade que surge na região com esta denominação, mas que se desconhece a sua origem. Entendidos locais afirmam ser apenas a variedade ‘Van’ que se adaptou às características regionais, melhorando-as consideravelmente. A ‘Maring’ apresenta o pedúnculo curto, bom calibre e elevada dureza da polpa, o que lhe permite adquirir óptimas condições para armazenamento e transporte. É uma variedade que suporta bem ligeiros atrasos na colheita, para índices de cor mais avançados, por apresentar uma firmeza da polpa considerável. Colheita óptima na cor 4-5 (código de coloração Ctifl). Sensibilidade ao rachamento mediana a elevada.

 De Saco Cova da Beira

 Variedade tardia. Polpa consistente e bons níveis de açúcar. Bem adaptada às condições locais. Boa produtividade. Bom poder de conservação. Bem adaptada ao manuseamento e transporte. Variedade de pedúnculo longo, que facilita a colheita. Por ser uma variedade de polpa rija, admite índices de cor avançados, não se depreciando a dureza do fruto. Colheita óptima em índices 4-5.  Quando frutifica muito, compromete o seu calibre.

Sweetheart

 Variedade tardia, autofértil, e de floração precoce, 1 a 6 dias após a ‘Burlat’. Rápidaentrada em produção, com boa produtividade. Boas produções após 3 anos de plantação. Boas características do fruto. Dureza da polpa boa. Maturação tardia, 32 a 35 dias após a ‘Burlat’. O estado de coloração recomendável para colheita é o índice 4-5 do código de coloração do Ctifl.  Calibre médio. Frutificação com dificuldade na colheita. Medianamente sensível ao rachamento.

2 thoughts on “A Cereja em Portugal

  1. gostava de saber qual a qualidade de cerjeira que me aconselham a plantar em Torres Novas,zona de muito calor e tambem de muito frio, obrigado.

    • Pedimos desculpa pela demora na resposta, em resposta à pergunta elaborada por Vª Exa aquí fica o conselho:

      O cultivo da cerejeira é realizado em regiões frias. Necessitam de 800 a 1000 horas de frio para que possam produzir satisfatoriamente em áreas com Invernos frios e chuvas.

      Não tendo conhecimento geral do clima existente na área de Torres Novas não sabemos se será adequada a plantação na região, sendo que necessita deste clima para a planta em todas as suas vertentes, não significa que não possam vitalizar em climas menos propícios, mas que a sua produção não será tão vantajosa ou com grande índice de produção como desejado.

      Cumprimentos,

      Quinta do Limite

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